segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fruto de Imaginação.

(...) e eu, nem aí (...) não passavam de ilusões, lendas ou até sonhos parcialmente tornados realidade. Eu tinha apenas 10 anos, quando caí na realidade, e porque não? Não deixam de ser seres, porque não? Isto é então, racismo.
Não aceitaremos o facto de serem "vampiros", mas quem sabe, um dia poderás vir a tornar-te num deles.
Quem sabe se isto não começou com uma simples conversa. Eu nasci assim, com os dentes bicudos, com uma aterrorizante mente, e sempre que me olhava ao espelho não via nada mais que um ser humano. Eu decidi então ir à floresta, arejar, ou encontrar o fruto da minha imaginação, mas era frustante ver os bichinhos a morrerem, era frustante ver um leão morder um veado, e porquê naquele sítio? porque é morte certa? porquê no pescoço? porque dói mais ? então, porquê? era frustante ver como não aceitam as coisas como elas são. Então eu revoltei-me. Com um punhal de pensamentos revoltossos na minha cabeça, excedi-me ao máximo, e voltei a ver o meu rosto relusente ao espelho, onde cada lágrima valia um sentimento. Abri a boca, apreciando os meus dentes bicudos e assustadores, por alguma razão era assim, eu tinha de dar inicio, ou quem sabe continuidade ao meu fruto de imaginação, eu tentei tornar-me um deles, porque aquela imagem frustante não me saia da cabeça. Eu tentei então tornar-me um deles, voltei ao meu ponto de partida , eu com uma forte tentação, caçei aquele bicho e mordi-lhe exactamente naquele sítio. Eu não estava em mim, eu não queria acreditar que tinha feito aquilo, mas alguma coisa me impedia de parar, eu estava possuída por um vulto imaginário que me prendia às tentações, e quando dei por mim, desatei a chorar , eu não queria aquilo, mas eu visto que me tornei um deles continuei. Eu estava sem rumo, só aquelas chamas na minha cabeça davam um sinal de vida. Eu estava a ser controlada, eu, não era "eu". Dei-me levar a acreditar que estava num poço infinito, que eu quis aquilo, eu criei um ser. Eu fiz um ponto no Universo. Eu vagueava por todas as zonas do mundo, descubrindo os meus dons, dado certa altura que era mais rápida, mais forte, que um ser humano. Eu lia os pensamentos das pessoas, sendo bons, e maus. Eu podia ajudar aqueles que mais precisavam, eu era fria, poderosa.
O tempo foi passando, quando já tinha eu 30 anos "humanos" pois eu era sempre aquela, eu era aquela menina pequenina com 10 anos. Eu era uma fera, resultante de uma frustante imaginação, eu acima dos sete mares. Mas eu, voltei a ver-me ao espelho, eu chorava sangue, pela qual nunca quis. Eu tinha os dentes fortes, ainda mais do que aquilo que de última vez que tinha visto. Eu era perigosa. Eu abri os olhos, eu não era aquela pessoas que começei, eu dei por mim e fazia parte daquilo que eu mais odeava , ver aqueles bichinhos a morrerem , sendo atacados direccionalmente no pescoço. Eu nunca quis aquilo, mas tinha de aceitar o facto de ter criado uma nova era.
Eu deitei-me na cadeira, olhei fixamente no espelho e pensei: "Será uma lenda, apenas fruto da minha imaginação, ou eu tornei-me mesmo isto, um monstro?".

(Leitores, os vampiros não são monstros, nós é que os vemos assim, eles têm um coração de amor, tanto como de pedra. Eles são como nós, simplesmente vêm as coisas de outra maneira, pois eles conseguem alcança-la.)

                                                                                   Veronýca S.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Águas Passadas.


« one way » yap, isso mesmo, só isso procure « uma forma » de resolver tudo.
Uma forma de fechar os problemas em quatro paredes.
Simplesmente quero acabar com estes problemas que temos todos, porque eu nado neles. Eu afoguei-me milhares de vezes neles, e ninguém me ajudou. Até que chegou aquela pessoa que me salvou. Mas não conseguiu arranjar uma forma de resolver isto. Uma forma de acabar com isto, que nos mata cada vez mais. Eu caminhava por este longo caminho que nunca acabava, por cada pedra que recolhia, um problema afugentava-se na minha mente. Eu pura e simplesmente colava os olhos ao chão, e nunca erguia a cabeça com medo que um dia um dia um raio me fita-se os olhos. Já com feridas nos pés, metade da roupa, rastejava sob este chão, arenoso, e húmido, sem qualquer modo de comunicação, era apenas eu naquele mundo. Presa por pessoas infiéis à vida, presa por mãos de todo o tipo frustrantes que me mandavam ao chão vezes sem conta, que falsas vezes me ajudavam, mas atiravam-me novamente. Mas eu acreditava sempre. Eu caia na conversa delas sempre. Porque eu era uma miúda indefesa, sem pensamentos, pois eles mergulhavam em água passadas. Eu tentava encontrar um pensamento que fosse compatível com esta aterrorizante história formada na minha cabeça. Tentava olhar para o redor de mim, mas era frustrante ver aquelas mãos que me seguravam, mas traiçoeiramente me enganavam, outra vez, outra vez, outra vez e outra vez.
Eu indefesamente tentava evitar, mas algo me puxava para lá. Todos os anos repetia a mesma rotina, sempre a mesma coisa. E por mais vezes que tenha passado por aquele filme de terror, eu cometia o mesmo erro vezes sem conta, eu atirava-me aos pesadelos, e desmanchava os sonhos. Um dia perdi a conta. Um dia quis erguer a cabeça, mas essas mãos atiravam-na para o chão. Tinha já os olhos a arder, gostas de sangue a escorrer pelo rosto, mas nem um ser me ajudou. Eu resisti sozinha. Eu voltei a mergulhar naqueles pensamentos. Eu tentei lembrar-me de tudo o que já tinha passado. Eu vivi cinco mil milhões de anos, a mesma coisa. Já tinha passado por aquela estrada cinco mil milhões de vezes, aquelas mãos já me tinham “ajudado” e traído cinco mil milhões de vezes, e eu nunca me lembrava disso, porque santinha deixava passar tudo, como se eu fosse um túmulo de forças, como se superasse tudo e todos. Eu tentei mudar, porque todos os dias a mesma rotina, todos os dias a mesma faceta, todos os dias a sofrer mais um segundo, todos os dias a viver aquele momento sem me aperceber das vezes sem conta que já o tinha passado (…) todos os dias as mesmas palavras, um dia esgotamo-nos, um dia fartamo-nos de ser sempre igual, se não mudamos, acabamos por saber uma vida de cor. Pintava todos os dias essa mágoa vivida, essa tristeza, esse rancor guardado em partes de mim, que nunca se desfaziam, apenas se dimensionavam. Aumentavam, aumentavam e aumentavam cada vez mais.
Um dia (…) uma mão saltou primeiro que as outras, eu tentei resistir, mas peguei-a mais uma vez. Ela levantou-me, ergueu a minha cabeça, um raio passou a um centímetro de mim, mas não me atingiu, eu acreditei que aquilo era um milagre. Essa mão fez de mim a pessoa mais feliz do mundo. Aquela mão era única, aquela sim eu acreditava com todas as forças do mundo. Ela limpou as minhas lágrimas, ela ajudou-me a levantar em todos os momentos. Ela sim era verdadeira. Eu tinha medo, mas tinha de ser forte, tinha de enfrentar esse medo, temia de voltar a aquele mundo que me prendia a razões de vida desesperantes. Mas eu tinha de fazer aquilo, eu fiz força, eu mergulhei naqueles pensamentos, eu ia afogando-me mais uma vez, mas a mão estava lá, aliás, está e estará sempre lá (…) ela disse-me: “meu amor, isto passa. Isto não passa de umas meras e alucinantes águas passadas”.



   Veronýca S.
(este texto é dedicado à minha segunda melhor amiga, inês labroinha :x)

sábado, 6 de novembro de 2010

Um, dois e tê rês.

Eu estava a dar voltas, voltas, e voltas, vivia cada segundo colada à minha mãe.
Presa num circulo apenas com uma ponta. Será possível? Talvez naquele mundo sim. Comia o que ela comia, bebia o que ela bebia, “fazia” o que ela fazia. Enfim, eu estava dentro dela, quando o 5º dia mais feliz da minha mãe chegou, 24/01/1998, um ser chamado “homem” com uma máscara e um fato agarrou-me por um pé, e começou a dar-me palmadas no rabo, eu perguntei-me se isto era possível, pelos vistos, sim, era.
Passei os anos mais felizes da minha vida, naquele sítio onde nasci, com a minha família toda.
Foi só contar: um, dói e tê rês. Parei por completo, o mundo parou, viemos para Portugal, onde mudou tudo, tudo, tudo mesmo. Uma volta de cento e oitenta graus.
Tenha quatro aninhos, só sabia contar até dez.
Eu não queria saber de nada, se ia fazer amigos novos, se ia aprender bem, muito ou mais.
Se me ia conseguir habituar aos hábitos de cá, apenas queria viver aquele momento, não sendo o melhor. Estava com a minha bola, quando chutei com muita força, foi parar ao pés de uma menina. Limitei-me a dizer: Olá. Ela chamava-se Daniela. Eu ia ouvindo (fingindo perceber), ia para aonde ela ia, eu não falava, apenas fazia. As coisas na minha casa continuavam como habitualmente, e na manhã seguinte encontrei-me outra vez com ela, mas vinha com a irmã, devia ter uns dois ou três anos. Chamava-se Joana. Eu habituei-me a elas, como ninguém. A minha irmã, a Andrea, ela é pessoa de se fechar no quarto, deitar-se na cama, e transformar o quarto num oceano. Eu nunca mais estive com a Daniela e com a Joana. Passei os dias em casa, sozinha, com a minha irmã.
Os anos passavam, passavam, e a minha irmã foi para a escola. Já eu me tinha habituado a estar sozinha em casa, e cheguei ao ponto de falar sozinha.
Quando estava eu, com totós, um vestido que tinha menos de uns 20 centímetros, de colans, sapatinhos de vela, com uma boneca na mão, a minha “patusca” , e oiço a porta bater, era a minha irmã, de 6 anos, cabelo preto, e mochila às costas, com uma amiga, loira, de olhos azuis esverdeados , mochila às contas também, eu sem qualquer sentido, e razão corro para ela e abraço-lhe. Naquele momento, o mundo tinha parado, eu tinha o mundo nas mãos. Não sei, a sério, hoje tenho eu 12 anos, e pergunto-me porque fiz aquilo, mas foi uma coisa inexplicável, eu senti que iria haver ligação ali, senti que ela não ia passar de uma amiga na nossa família, eu queria acreditar que ia ser para sempre (:c), pelo menos, mais que estes oito anos que passamos juntas. Sim, é muito pouco, eu queria mais, aprendi contigo mais de metade das coisas que os meus pais me deviam ter ensinado, criei um nó nos nossos corações de tal maneira que ainda hoje não o consigo desfazer, foi perfeito para mim ter-te conhecido Juliana, abriste os nossos corações nesta família, sabes que os meus pais amam-te como uma filha, a génesis gosta de ti, imenso mesmo, que tu nem imaginas, eu posso até admitir que a minha irmã gosta mais de ti do que eu, e já não vive sem ti, ela nem que lhe dessem um milhão de euros conseguiria admitir isso, mas ela própria gastou o seu tempo, a sua a caneta, e uma folha para escrever que eras uma irmã para ela, que já não vivia sem ti.
Partis-te assim, mas não estamos bem assim, queremos-te aqui, já e agora, Precisamos de ti.
Precisamos de ti juliana, não sabes o quanto. Eu ás vezes tenho medo que arranjes outra família melhor que a nossa, tenho medo que um dia venhas a dizer: “ah essas?  Tchi, já me tinha esquecido delas” isso é um dos meus maiores medos. Eu não quero desfazer este nó, que com os anos foi-se apertando, apertando e apertando, derrubando obstáculos, que jamais 1/3 do mundo conseguia derrubar. Nem uma amizade tão forte como a nossa conseguia. Preciso de ti juliana, não me deixes, não me deixes. Aquela inédita imagem da primeira vez que te vi, não me sai da cabeça, pois foi tão especial para mim, que eu conto até três para voltar a vê-la. Jogava eu à macaca, mandava a pedra, e a imagem aparecia, dava um salto e desaparecia, chegava ao 3 e voltava ela a aparecer. Não são apenas coincidências, são linhas do caminho que nos destinam a esta parada que hoje temos. Eu nunca quis que tivéssemos seguido caminhos diferentes, pois eu só te digo : “Não me deixes ir” , preciso de ti, preciso da tua mão mais uma vez juliana. É que aquelas vezes que eu caí, estava a tua mão estendida, é que eu acordava e a primeira coisa que via era a tua cara, é que eu cozinhava panquecas pura e simplesmente para ti. É que são momentos que por mais que queramos NUNCA os vamos conseguir apagar. Pode parecer estúpido, mas jurei morrer contigo, ao pé de ti, pelo menos conseguir dizer-te um «amo-te» cara a cara, pela qual que ainda não consegui dizer. Tu não me limpas as lágrimas, tu simplesmente nem as deixas cair. Tu ofendeste-me milhares, milhares e milhares de vezes com as verdades, mas nunca me alegras-te com as mentiras, sei que confiar é contigo. Eu chamo-te irmã porque é o que és e sempre serás. É um sentimento inexplicável juliana, tu completas-te os rancores da alma da minha irmã, mudas-te aquela miúda completamente, tu colas-te a parte dos risos e sorrisos eu faltavam na cara dos meus pais, tu tapas-te os buraquinhos que me faltavam no coração. Eu não quero acabar dizendo amo-te, porque os sentimentos não se dizem, nem se escrevem, os sentimentos, SENTEM-SE. Juliana, eu amo-te, e amar-te-ei para o resto da minha vida, porque tu simplesmente encadeaste a escuridão do meu caminho, sacrificaste-te às minhas sabedorias, lutas-te contra a minha obscuração. Eu preciso de ti, eu quero-te, por favor, não me deixes ir :’c
Uma coisa garanto-te sê feliz porque eu só sou feliz com a tua felicidade, nunca vais ficar sozinha, cada vez que me quizer lembrar de ti, é por a tocar «Sandy & Junior» (aposto que neste momentos estás a rir e a lembrar-te dos bons momentos que passamos juntas), gigui gigui jay gi jay já boy eu amo vocêeeeeeeee.
Eu quando me voltar a lembrar de ti, já não vais conseguir as lágrimas não caírem, muito menos limpá-las :c estás muito longe, esta separação foi uma súbita indignação nas nossas vidas (:’c) eu simplesmente queria passar o tempo para trás, porque eu, vou dizer: um, dois e tê rês, e lá estou eu com os tótós no cabelo, com o vestidinho e com apenas 4 anos (…) vai ser sempre assim, Juliana Martins Gondim “Vieira Serrano” eu amo-te mesmo, e esta distância já aperta, o rancor que guardo é que o nó está cada vez mais largo :c tenho medo que ela se desfaça, pois já vivemos muito, já choramos muito, já passamos por muito irmã, por isso tenho mesmo muito medo, mas se algum dia, isso acontecer, eu apenas tenho de dizer: um, dois e tê rês. 
                                                                                                                 Veronýca S.
  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu não tenho medo!



É simplesmente isso, não tenhas medo. Segue em frente, nas tuas mãos tudo é possível, viver, morrer, nascer, não nascer. Ser o que és, ou o que não fostes, ou o que virás a ser. Eu não tenho medo, tomo as melhores medidas, olho em volta, para o mundo que casa dia matamos mais, mais, e casa vez mais, porque não matar-me a mim também? :o
Quero deixar tudo, quero por à parte os sentimentos, as preocupações, os problemas e atirar-me de um prédio de 57 andares. Voar, voar, voar, de modo a que ninguém saiba que sou, de modo a que me arranquem tudo o que tenho dentro de mim, e ser um simples e oco pau que qualquer um atira…
Darem-me 3 mil tiros, mas nem 3 sentir, seria entrar na água e queimar-me com o fogo que está apagado. É ilusões que vemos todos os dias, é as lendas que nos contam, são essas as ****** que nos contam todos os dias, e nos a deixar-nos levar sem qualquer sentido. É isso que vivemos todos os dias. Eu não tenho medo, simplesmente vivo uma morte. Sim, não? Eu vou continuar a viver esta semana, que na outra já estou morta. Vou limpar a minha decisão, e ler a minha história em todas as vidas que já estive. Não me ponham coisas na cabeça que eu sou aquilo que nunca fui, e vou ser aquilo que não fui. Conter a minha cabeça, não mais que cada palhaçada que saem todos os dias nos jornais, e na televisão. Eu até me pergunto a mim, só fiz sofrer a minha mãe, para quê lhe fiz sofrer, e ainda por cima, vai voltar a sofrer. Para quê nasci se sou apenas mais uma no mundo? Tanto sofrimento, tantas vivências, tantas mágoas, tantas mortes, o quê? Para quê? Foi mais um dos erros de deus? Não acredito. Estamos a passar por isso tudo para no final estaremos fechados entre quatro paredes de madeira, sem qualquer modo de respiração, sem qualquer personalidade, sem qualquer pessoa ao pé de mim.
Esperem lá, agora, agora é que penso, serei a única pessoa no mundo e estarei a sonhar que isto que vivemos todos os dias é verdade?! Não sei, não sei não! Belisca-me então, que eu quero acordar deste pesadelo que todos os humanos vivem em cada centímetro de o mundo chegar a morrer também. Estamos presos na vida, pois sofremos tanto, lutamos tanto, choramos tanto, para depois morreremos (...) Eu nem sei bem o nome deste planeta, mas sei que não podemos fazer tudo o que queremos,  tanta vigança, tanto trabalho se depois a vida vai acabar? Não, eu não tenho medo! Mas (…) Para que levaremos a vida tão a sério, se a vida é uma simples alucinante aventura no qual nunca sairemos vivos? Eu cá vou aproveitar a vida, que não sei bem o significado dessa palavra, mas vou aproveitar, pois se já fiz pessoas sofrerem, também posso torna-las felizes. Agora que nasci, vou acabar o que comecei, não digo que fui um erro no mundo, mas também não digo que isto tenha sido a melhor coisa que já fizeram.
E aqui caí, quando cheguei ao 1º andar. Mais uma vez, voltei a subir, mas passei do 57º andar, subi mais acima, lá no “além” da vida. Eu caí, pois não tenho medo !
                                                                                                                            Veronýca S.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Puro e inacabado sentimento...

  
Tudo começou num puro e inacabado sentimento...
   Quando pensei que tudo ia ser perfeito, ou talvez, mais que perfeito (...)
   Quando pensei que as palavras não iam magoar, ou um simples olhar ia atrair aquilo que sentia por ti.
   Foi um profundo sentimento, foi como se tivesse nascido naquele instante, não sabia de nada, único e simplesmente sabia que eu te amava com todas as forças que havia no mundo.
   Mas será verdade, para ser tão bom? Eu nem queria olhar para esse lado do caminho, prq ia achar que ia estragar tudo. Achar, pensar, estranhar, imaginar? Não, não vale mesmo a pena. Queria ser forte, e seguir em frente com aquela sorte que a vida me tinha dado. Mas só uma pessoa forte conseguia arrancar essa sorte, essa oportunidade, tal como eu não consegui, porque não olhei em mim, olhava para trás, e para a frente. Será? não, Foi? não, e porquê não é? Custava-me assim tanto viver o presente, o "é" da vida? Mas não, o vento puxava a vontade de olhar para o presente, e desprendia a delicadeza que tinha de olhar para trás e para adiante, para o "foi" e para o "será". Não, não quero o futuro, não quero o passado, apenas viver aquilo que estamos "supostamente" a viver. Para mim, estava morta. Nada valia mais que aquele ser "pequeno", aquele sorriso branquinho, aquele olhar que bloqueava meus olhos, aquela  vozinha suave e delicada. Sim, essa pessoa era pequena, muito pequena, mas pelo que conseguiu mostrar-me, pode chegar ao ponto mais alto do mundo. Aquela pessoa que conquistou meu amor, roubou minha alma, simplesmente, resgatou meu coração. Passava tudo, passava o tempo todo a trás, para poder viver aquele momento mais um vez, porque deixei as coisas irem em vão. Num abrir e fechar de olhos , tudo esvoaçou, tudo desapareceu, e eu fiquei isolada naquele mundo dramático, sem amor, sem possibilidades de vir a amar. Sentia-me presa pelas águas do mar, mas sentia que não era nada nem ninguém. Sentia que a água entrou em mim, ou melhor dizendo: "Entrei em pura água”. Naquele momento eu era a água, derrotando a areia da água, afogando-a por minhas mágoas, matando os seres do mar, com as estranguladas ondas que vinham do Equador (...) Eu naquele momento, simplesmente não quis acreditar que era aquela pessoa que dês fez o único e precioso ser , tinha tudo nas minhas mãos, e num simples tropeçar, derrubo tudo das minhas mãos. Eu quero, simplesmente, nesta pequena expressão sentimental, dizer a todos os leitores para não deixarem aquilo que mais amam, porque quando olharem para ela, já está para mais do além, já não vão ter nada nem ninguém. Avancem enquanto é tempo, que tudo é escasso, quando gostamos mesmo de uma coisa, devemos quere-la e agarra-la com força, para não a deixarem cair como eu fui, neste momento, porque nunca vão querer passar por aquilo que passei. Peço-vos que agarrem aquilo que têm e que amam, que quando vocês menos esperarem, vai-se embora sem deixar um único rasto (...).
   Vivam o presente, e esqueçam os erros que cometeram no passado, nem como será o futuro, porque o presente, vai completando aos poucos o futuro, quando deres por ti, já viveste esse momento da tua vida, e aí vais sentir-te a melhor pessoa do mundo. Querem mesmo aquela pessoa? Agarrem-na, dêem-lhe aquilo que têm para dar, porque ela não espera. O vento roubate-a . Só quero avisar a este leitores, que cometi o maior erro da minha vida, mas que não posso viver com ele para sempre, para não voltar a cometer este .
   Aquilo que eu amava com todas as forças, foi-se embora, e nunca mais voltou. Nunca mais a vou poder ter ao pé de mim, nunca vou poder sentir os seus lábios, nem poder tocar-lhe, nunca mais vou poder sentir seu cheiro, mas essa imagem vai viver presente sempre em mim, até morrer. Porque este puro e inacabado sentimento, nunca vai acabar!

                                                                                     Veronýca S.

                                                                                 
                                                               

domingo, 26 de setembro de 2010

Conto: "Como se formou a Lua."

Há muito, muito tempo, no mundo, havia uma diferença, a Lua.
A lua era sempre redonda. Ninguém sabia porquê.
Todos passavam os dias, a pensar, a razão pela qual a lua era sempre igual, se as crianças aprendiam nas escolas as quatro fases da lua, e eram diferentes, porque aqui no mundo, seria sempre igual?
Até passavam as noites a olhar o alto céu, a lua.
Nem mesmo os cientstas o conseguiam descubrir.
Mas... Certo dia, ao pôr-do-sol, um pequeno rato, chamado João, pensou, decidiu e disse:
- Já chega!  Isto não pode continuar. Estou farto de ver a lua redonda. Se não conseguem os cientistas, consigo! Vou provar que a lua pode variar, pode ser de outra maneira, tal como as crianças aprendem na escola. VOU À LUA !
Então o rato João foi à casa do seu amigo, outro rato, eram amigos de infância.
O seu amigo chamavas-se Bigodes, tinha um problema menta, tudo o que era parecido com o queijo, ele trincava, mas ele era sempre boa companhia.
O amigo aceitou, e foram os dois à casa do João para se prepararem, quando Bigodes diz:
- Óh João, tens mesmo a certeza que queres fazer esta viagem? - relembrou Bigodes.
- Eu vou! E tenho a certeza que vou conseguir. Estou mais que decidido, e não se fala mais nisso . - afirmou João.
-Bem, não queria ofender-te, tu é que sabes.
João e Bigodes, pegam nas folhas, nas canetas, vestem os fatos, entram no foguetão e vão a caminho da Lua.
O povo apoiava, e diziam que conseguissem .
Passavam-se segundos, minutos, horas, manhãs, tardes, noites, dias, semanas, meses e até mesmo anos. Mas a lua continuava sempre da mesma maneira - redonda -. E o povo começou a achar estranho.
Mas certa noite, uma criança que não dormia, nem um piscar de olhos fazia, viu nesse mesmo momento a lua, aos pocos ia-se formando no Quarto Minguante, e começou a chamar o povo.
Mas vinha uma gaivota em direcção ao menino com um papel no bico, pois pareçia ser para o povo. Abriu e leu:

Povo,

Desculpem. Não sabemos se conseguimos ou não, pois isso verão voçês. Se mudou, melhor, se não mudou, lamentamos imenso, fizémos o que estava ao  nosso alcançe. Temos de anunciar que estamos muito velhos, o que não nos permitirá de voltar, pois ficaremos aqui, porque uma viagem desta, demora anos, e quando chegassemos lá, já estariamos mortos.
Mas esperamos que tenhamos conseguido. Com esperanças de:                                                                                           JOÃO E BIGODES.
E assim foi, o povo ficou contente por terem conseguido.
E aí, em diante, conta-se a lenda que: enquanto que o rato João descubria o que fazer, o rato Bigodes poderia estar com fome, e como tinha o tal problema mental, pensou que a lua era quijo e começou a trincá-la aos poucos, até se tornar, o Quarto Minguante.

                                                                                                                                                                                          Veronýca S.

sábado, 25 de setembro de 2010

Um olhar raio-x .

Passea-va num sereno e calmo campo, quando cruzo com um cavaleiro encantado, o vento resgatava meu olhar, e esvoaça pelo meu rosto. Quando dou um pulo, tudo para. Ele olhava para mim num profundo pensamento. Era como se infiltrasse seus olhos nos meus, era como se o mundo parasse para suas lágrimas se contentarem com a mágoa de estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de mim. Eu acreditava, naquele momento que tudo era possivel, tudo era extremamente precioso, mas que era de bom de mais para ser verdade. Quando vou para dar um passo, ele espeta-me uma faca pelas costas, e tudo parou, mais uma vez senti a sensação de que tudo parou à minha volta. Eu acabo por cair sob aquele sereno e calmo campo, junto de uma árvore grande e revestida de folhas amarelas e vermelhas. Dou por mim, e estou num síto em que não há por quem ir, não há por quem chamar, não há por quem gostar. Simplesmente, estava isolada naquela nuvem branca, eu estava morta. Morri por bons, morri por maus, mas sei que também morri por alguns, alguns esses que me odiavam, alguns que me amavam. Tentava sair daquele beco , mas tudo e nada me impedia de sair de ali. Estava trancada num cubo , onde tudo era branco, onde havia tudo e nada existia (...) , rendi-me, e mais uma vez , caí sob aquele intenso branco, que nem sabia, se era parede, tecto ou até mesmo o chão. Senti os intestinos virem-me à boca, como uma caldeirada de bruxa. E quando dou por mim, estou debaixo daquela árvore grande, de folhas amarelas e vermelhas, naquele campo sereno e calmo. Num brusco olhar, olho para trás, e os olhos daquele cavaleiro entraram por mim, veio-me dos pés à cabeça, eu pensei - ele entrou em mim - , era a sensação de um espíro a passar por mim. Um simples olhar dele, matava qualquer um, ultrapassava-me os olhos, passava dos olhos para a nuca, nunca tinha sentido nada assim. Mas eu, aterrorizadamente, sem saber o que fazer, tive a sensação, de que me veio-me um dejavú , sabia que se não fizesse nada, sentiria mais uma vez uma faca espetar-me nas costa. Reagi, virei-me e corri para mais longe, que pude. Só quis deitar-me, olhar para o céu, adormeçer, e nunca mais acordar . Aí, penseí, e vi que a vida me tinha dado mais uma oportunidade de viver aqui em baixo, no mundo, onde tudo existe, onde as pessoas sofrem, ondem as mágoas escorrem, ondem as pessoas vivem e morrem. Mas eu preferia, estar naquele cubo branco, onde não sofro, onde não sinto dor, onde não sei quem sou, onde tudo era diferente, ou não . Sei que estava a errar, no facto de querer morrer, pois milhares de pessoas gostariam de ter a oportunidade que eu tive, mas sendo assim, dava-a a todos, porque eu queria mesmo morrer. Estar lá, naquele sítio onde as pessoas não vivem, as pessoas sentem-se a viver, mas não existe nada, apenas amor. Que quando olho para baixo, vejo acidentes, mortes, partos, crianças, separações, discuções entre famílias, agressões, vivências, mas eu, sempre preferia estar aqui, onde percebí que era o céu, ao lado daqueles que nem me amam nem me odeiam, aqui onde a perfeição não existe. Eu agradeçi ao mundo, por me ter dado esta oportunidade de viver mais uma vez a vida. Segui o meu caminho mais cem mil anos, quando num abrir e fechar de olhos, um olhar infiltra-me, novamente, o corpo e quebra meu coração. Tinha chegado, finalmente a hora, a hora de morrer. Aprendi que sou a felicidade de uns e a tristeza de outros. Aprendi que viver vale sempre mais que morrer. Um ser umano pode sempre herrar.
   
                                                                                       Veronýca S.