sábado, 25 de setembro de 2010

Um olhar raio-x .

Passea-va num sereno e calmo campo, quando cruzo com um cavaleiro encantado, o vento resgatava meu olhar, e esvoaça pelo meu rosto. Quando dou um pulo, tudo para. Ele olhava para mim num profundo pensamento. Era como se infiltrasse seus olhos nos meus, era como se o mundo parasse para suas lágrimas se contentarem com a mágoa de estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de mim. Eu acreditava, naquele momento que tudo era possivel, tudo era extremamente precioso, mas que era de bom de mais para ser verdade. Quando vou para dar um passo, ele espeta-me uma faca pelas costas, e tudo parou, mais uma vez senti a sensação de que tudo parou à minha volta. Eu acabo por cair sob aquele sereno e calmo campo, junto de uma árvore grande e revestida de folhas amarelas e vermelhas. Dou por mim, e estou num síto em que não há por quem ir, não há por quem chamar, não há por quem gostar. Simplesmente, estava isolada naquela nuvem branca, eu estava morta. Morri por bons, morri por maus, mas sei que também morri por alguns, alguns esses que me odiavam, alguns que me amavam. Tentava sair daquele beco , mas tudo e nada me impedia de sair de ali. Estava trancada num cubo , onde tudo era branco, onde havia tudo e nada existia (...) , rendi-me, e mais uma vez , caí sob aquele intenso branco, que nem sabia, se era parede, tecto ou até mesmo o chão. Senti os intestinos virem-me à boca, como uma caldeirada de bruxa. E quando dou por mim, estou debaixo daquela árvore grande, de folhas amarelas e vermelhas, naquele campo sereno e calmo. Num brusco olhar, olho para trás, e os olhos daquele cavaleiro entraram por mim, veio-me dos pés à cabeça, eu pensei - ele entrou em mim - , era a sensação de um espíro a passar por mim. Um simples olhar dele, matava qualquer um, ultrapassava-me os olhos, passava dos olhos para a nuca, nunca tinha sentido nada assim. Mas eu, aterrorizadamente, sem saber o que fazer, tive a sensação, de que me veio-me um dejavú , sabia que se não fizesse nada, sentiria mais uma vez uma faca espetar-me nas costa. Reagi, virei-me e corri para mais longe, que pude. Só quis deitar-me, olhar para o céu, adormeçer, e nunca mais acordar . Aí, penseí, e vi que a vida me tinha dado mais uma oportunidade de viver aqui em baixo, no mundo, onde tudo existe, onde as pessoas sofrem, ondem as mágoas escorrem, ondem as pessoas vivem e morrem. Mas eu preferia, estar naquele cubo branco, onde não sofro, onde não sinto dor, onde não sei quem sou, onde tudo era diferente, ou não . Sei que estava a errar, no facto de querer morrer, pois milhares de pessoas gostariam de ter a oportunidade que eu tive, mas sendo assim, dava-a a todos, porque eu queria mesmo morrer. Estar lá, naquele sítio onde as pessoas não vivem, as pessoas sentem-se a viver, mas não existe nada, apenas amor. Que quando olho para baixo, vejo acidentes, mortes, partos, crianças, separações, discuções entre famílias, agressões, vivências, mas eu, sempre preferia estar aqui, onde percebí que era o céu, ao lado daqueles que nem me amam nem me odeiam, aqui onde a perfeição não existe. Eu agradeçi ao mundo, por me ter dado esta oportunidade de viver mais uma vez a vida. Segui o meu caminho mais cem mil anos, quando num abrir e fechar de olhos, um olhar infiltra-me, novamente, o corpo e quebra meu coração. Tinha chegado, finalmente a hora, a hora de morrer. Aprendi que sou a felicidade de uns e a tristeza de outros. Aprendi que viver vale sempre mais que morrer. Um ser umano pode sempre herrar.
   
                                                                                       Veronýca S.

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