terça-feira, 17 de maio de 2011

Metade de mim.


As coisas podiam ser mais fáceis. As coisas podia ser maravilhosas, num simples abrir e fechar de olhos. Mas não… não.
As coisas são tão complicadas, as coisas passam-nos na frente, como um vulto que inesperadamente nos arranca tudo, como um vulcão entrando em erupção.
Pra quê termos de nos amargar todos os dias, pra quê termos de nos odiar todos os dias, pra quê termos de nos sentir mal, se não valemos um simples olhar? Pra quê termos de nos olhar ao espelho a cada segundo, achando-nos gordas, feias e que ninguém gosta de nós, se no fundo, somos um ser humano como qualquer outro? Pra quê, largar tanta lágrima, se para eles nem uma vale, metade? Porque é que vivemos neste cubo de desesperos, neste mundo que nunca nos inabilitamos minimamente? Se tudo fosse como nos contos de fadas, mas não, tem de acabar exactamente com um final infeliz.
Tem de ter um desenvolvimento, cujo eu sinto-me frustrada, desesperada, num rumo sem saída, onde me tiram toda a felicidade, daí a ter um final infeliz.
Daí a toda a minha felicidade ser levada, por uma rajada mais forte que 7 mundos.
Daí a tudo o que tenho ser roubado e, goradamente me deparar com um mundo intrometido em  tudo o que é porcarias, em vez de ajudar naquilo que mais precisamos. Tenho uma intensa nostalgia de tudo aquilo que desenhei num papel, imaginando que iria sair para fora, tornando-se eficazmente realidade.
Uma memória inédita, que me deposita a cada segundo em maus pensamentos, em termos egoístas, em gotas prefacias num rosto morto, literalmente morto, sem qualquer sensação de vida, sem qualquer comunicação para o mundo.
São nestes momentos, que para mim, tudo acabou, tudo foi por água abaixo, que tudo se despediu de mim, sem uma razão, e porquê. São nestes momentos que me apetece pegar em tudo e jogar ao chão, pegar no carro, e com as lágrimas esborratando a maquilhagem, furiosamente, com pensamentos frios, sem qualquer modo, conduzir pela estrada fora, desligada ao mundo lá fora. Estacionar numa zona, calma, sem nada nem ninguém, apenas ouvindo-se o rastejar das folhas, roçando no chão, e o vento infiltrando-se pelo rosto, causando-me constantes arrepios, e o cheiro a Outono, o cheiro a folhas vermelhas e amarelas. O “plim” da água a ser perfurada por uma pedrinha atirada…
Depois deitar-me no Outono, e olhar para o céu limpo, sem qualquer nuvem. Fechar os olhos, e ouvir somente o silêncio. Ouvir a natureza, aquela que melhor nos compreende. Ouvir o barulho de mar para sudeste. Os pássaros que voam de um lado para outro desesperados por alguma coisa. As abelhas que trabalham arduamente de flor em flor, os esquilos que trepam qualquer arvore, descascando qualquer bolota. O cãozinho, correndo de um lado para o outro, com a língua de fora, suspirando, e pedindo por mais…
E eu, deitada, sem saber o que fazer, olhava em redor, e temendo que aquilo tudo, se votasse a repetir.
Porque me fazes isto, se eu amava-te? Porque me traís desta maneira, se eu fiz tudo o que pude, e o que estava ao meu alcance para poder dar certo? Porque é que dizes tanta coisa, para no fim só fazeres uma? Porque é que me acaricias, se por trás o que mais quereres é largar-me? Porque troças de mim, se no fundo amas-me? Será por eu levar a tua luz e o teu aroma na minha pele? Porque me fazes isto, se eu apenas queria um sempre? Custava-te assim tanto dar-me um sempre? Se tudo tem um fim, qual era a de dares-me um sempre, o nosso sempre iria ter o se fim, porquê?
Ela é mais bonita, é isso. É mais magra, tem mais corpo que eu, mas porquê? Sou invisível? Para não me dares sequer um sinal de vida?
Depois é aqui que tudo muda, é aqui que volto à mesma rotina. Olhando-me ao espelho, com olhos borrados, caindo-me pelo rosto as lágrimas pretas da fúria e entristecimento do passado, que surge constantemente nas minhas mãos, sem me deixar libertar.  É o medo de cair, é outra coisa. É a voz do vazio debaixo de nós, que nos atrai e nos envolve, é o desejo da queda do qual nos defendemos aterrorizados.
Corre-me no sangue, o desespero de ter tudo aquilo que quero, o desespero de ter o devido apoio dos meus pais, em qualquer decisão que tome. Ter os amigos sempre de lado para ajudar, não como são eles hoje em dia, F-A-L-S-O-S. E falo de TODOS, sem pormenores, até ao melhor amigo, hoje se pode chamar falso, porque o que elas e eles fazem é por interesse, e não por saber se está bem ou mal.
Diria, que devidamente à pura falsidade que nos corre no sangue, tornamo-nos todos uns terroristas que só ambicionam e não pretendem ganância de amar.
Não invejo o voo, nem o ninho da andorinha, sou como o vento que caminha, eu somente sinto o Caribe que me desvela. Com as tuas paisagens criei história, nos meus sonhos irei pelos mundos de Deus, e as tuas recordações ao entardecer, farão mas curto o caminho e, nas tuas praias ficou a minha miudês. Queria subir bem lá no alto, deparar-me com o céu, e dizer-me, que tudo o que vivi, foi um erro.
Dos montes só quero a imensidão e do rio a aquarela. Mas de mim? De mim, tu, não queres nada, apenas distância. As tuas carícias, e palavras carinhosas, marcavam-me detalhadamente, que eu imaginei um futuro, ao teu lado, sendo este impossível, mas imaginei-o.
Os momentos de perfeição passaram, e agora só me restam memórias, porque todos sabíamos que um dia, este dia ia chegar. Mas nunca imaginei sê-lo desta maneira.
As tuas palavras foram tão ingénuas, as tuas orações destacavam-se incorrectamente em qualquer pensamento, principalmente no meu. As tuas palavras, acertaram-me amargamente, de tal maneira no coração, que eu não aguentei.
Dei por mim, e estava outra vez, temendo que isto se volta-se a repetir, invejando o trabalho das abelhas, a alegria dos cãezinhos, a convivência dos pássaros, a energia dos esquilos, ouvindo o silêncio nunca encontrado, a tranquilidade jamais voltara a habitar a minha mente, estava mergulhando em pensamentos semeados por ti, estupefacta sem saber onde me ir meter, ou enterrar.
Pra não falar da ajuda que temos em casa, dos sacrifícios que fazemos para que confiem em nós, pra que os irmãos nos amem, como nós realmente amamos, para que acreditem que sou capaz de receber a mão e dar o braço, para que acreditem finalmente no verdadeiro amor que tenho por vocês… Mas são todos os dias, vocês nunca pensam em nós, vocês dizem que é para o nosso bem, mas bem, é o que eu não tenho. Se calhar seriamos mais felizes, se prestássemos sempre primeiro à família, e depois aos trabalhos,  porque lá por seremos crianças, também temos sentimentos, também temos vontade de dizer: “mamã, eu amo-te, papá, eu nunca te vou abandonar” ; mas a confiança é tanta que vocês nos dão, que eu não sou capaz de o dizer, não com medo da reacção, mas sim com esperanças que vão viram a cara quando estiver a dizer a frase, e no fim dizerem: “sim filha” como se tivessem ouvido, mas no fundo, não ouviram nem uma única palavra!
Ninguém tem noção de todas as ideias que já nos passaram pela cabeça, quando nos deparamos com situações destas. Fugir de casa, cortar-se, matar-se, desligar-me completamente ao mundo lá fora, e criar o meu próprio mundo (…) tantas coisas!
Mas como eles nunca querem saber, nem sequer perguntam.
Quando comecei a ter mais ou menos noção das coisas, pensei que os nossos pais fossem uma caixinha que nos acompanhava, e nos ditava cada passo da vida, sempre, e ainda hoje tenho esperanças que venhas ter comigo, e dizer-me: “e que tal um joguinho de mesa? Ou então um jogo de cartas? Que preferes?” ; ou então mesmo chamares-me para a mesa, sentarmo-nos a ter uma conversa de raparigas, namorados, coisas da adolescência… ainda aqui estou eu à espera desse momento… mamã, quando vem esse momento? Eu sei, que os filhos não são a única preocupação, mas nós estamos aqui! Ainda me lembro de quando queria algo, e puxava a manga da minha mãe enquanto ela falava com alguém dizendo: “mama, mama, mama, mama” … sentiam-me um ser tão pequeno, que cruzei as mãos, foi a gota de água, não pude evitar as lágrimas, comecei a correr com uma velocidade, e escondi-me. Fiquei à espera que vise os meus pais entrar em desespero à minha procura, mas os minutos passavam, e nada. Não pude aguentar, até me dirigir a um guarda, já com a cara feita em buracos de tanto chorar, informaram que ali estava eu, uma menina perdida.
O coração nunca tinha batido tanto quando pensei que nunca mais iria ver os meus pais… o desespero foi tanto que comecei a dar socos em mim… eu queria besliscar-me, e acordar deste pesadelo.
Nas ondas do calor, via-se os meus pais, a correr para mim, o brilho dos olhos deles, fizeram-me acreditar que eu estava ali, que era uma vez na vida um ser humano para eles, e não um objeto.
De novo, aqui estou eu, com 20 anos, puxando a manga da minha mãe, dizendo: “mãe, mãe, olha pra mim se faz favor, mãe, mãe!” e tu, nem ai…
Desisti.
Decidi ser só eu, e concentrar-me naquilo que tinha exactamente de me concentrar: tu.
Mas já nem me fazia tanta diferença, tu partiste, deixando-me de coração nas mãos, deixando-me despedaçada criando novos oceanos, passando e repassando uma história perdida.
Eu fiz exactamente aquilo que devia ter feito à mais tempo, como quando estamos no Messenger e nos aborrecemos de lá estar, de ver os mesmos amigos todos os dias, falar das mesmas coisas, ver as mesmas misérias de nick’s, que por vezes pode-nos destroçar por completo carregamos em: “Sair deste local” e finalmente aparece: “Verónica Vieira acaba de ficar offline” é isso mesmo, como estou cansada de ver a mesma faceta todos os dias, fazer o circulo repetitivo, uma rotina que cumprimos diariamente, um ritual exageradamente exagerado todos os dias, chegamos à conclusão: não cansa?
Neste caso vai ser:” VERÓNICA VIEIRA ACABA DE FICAR OFFLINE PARA O MUNDO”.
E agora, só vos digo uma coisa: se um dia tiver que naufragar, e o tifôn romper as minhas velas, enterrar o meu corpo junto a vocês, minhas estrelas!
E a outra metade de mim? Talvez quando aparecer…
Veronica Vieira acaba de iniciar sessão.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Rascunho Errado.


Depois, eu pergunto porquê, porque há tanta gente como esta. Epa, se ao menos pudessem mudar um pouco, um pouco que fosse, não estou a pedir que percorram os vinte e sete países da união europeia,  nem que voem sob os sete mares, mas qu ao menos mudem um pouco da sua forma para com o mundo.

Depois de já ter virado a página mais de cem vezes, volto a lê-la e relê-la, como se fosse o rascunho errado. Mas não, aí estava, eu era o rascunho errado. Eu tinha calhado nas mãos erradas, ou será que eu não estava à parte do mundo? Pois , só sei que eles , pintavam-me com cores alegres, como se me amassem, como se fosse tudo para eles, mas depois , a força do preto estava tão carregada , que gotas caiam sob a folha de papel com vários tons de azul.
A mágoa era tanta, que transbordava a folha, a tristeza era imensa que rasgava-a em mil pedaços frente e verso.  Mas depois, as palavras eram tão doces, descreviam tão lentamente um rosto sorridente, que eu não sabia se era mesmo aquilo, ou se estava a sonhar.
Eu corria sempre para aquele canto, detalhado, com mil maneiras, chorava, chorava, mas ninguém dava conta disso, porque simplesmente eu era um rascunho errado, eu era folha reciclada, eu era parte de um lixo. Para eles, eu aparecia e desaparecia do mapa, eu era tipo uma girl ghost  . Só precisavam de mim quando era caso de sucedimento, ou quando era caso de acontecimento. Mas o que poderia eu fazer para eles acreditarem em mim, se nem uma palavra minha diria o quanto eu os amo, o quanto os venero, e que apesar de não passarem de irmãs, são sempre da família? Às vezes enterrar-me seria a melhor solução. Mas depois voltam as palavras carinhosas, as carícias agradáveis. Mas cada passo em frente, era esgotado com mil palavras, que me acertavam de tal maneira no coração, que não aguentei, a depressão era tanta, a violência psicologicamente era tanta, que não consegui. Falavam comigo, com quatro pedras na mão, e eu sem mínima defesa, esgotava de alegria, porque era incapaz de me levantar, apenas rastejar.
Pois, eu nunca amei tanto ninguém, nunca desejei tanto ninguém, nunca lutei tanto por alguém, como luto por eles, porque afinal de contas, são o mais verdadeiro, que tenho na vida , e quando eles acabarem? Eu acabo também, completamente. Desulpem por todo o mal, e por tudo o que superei, e por tudo o que fiz que nem estava ao meu alcance. Eu venci milhares de batalhas, derrobei milhares de obstáculos, percorri milhares de mares, mas ainda não vos encontrei, pois o vosso coração esta bem la no fundo, pois esta difícil. Nunca pensei não conseguir chegar ao vosso coração e tocar naquele ponto fraco, pois vocês são mais fortes do que eu pensava. Por mais mil palavras que diga, sejam verdadeiras ou falsas, nunca vão ser o suficiente.
É aí que depois agarras em mim, amachucas com toda a violência, e fazes pontaria ao sexto, acertas, e é ali que eu fico para sempre, no lixo.
Mas quando se lembrarem de mim, sabem bem que eu ali estarei, sempre, de braços abertos, pois pais são pais, irmãs são irmãs, e quero que saibam que eu nunca amei tanto alguém como vos amo a vocês, porque vocês completam os pedaçinhos que faltam no meu coração.
Mas um dia isso vai acabar, e vou ficar feliz, sabem porquê? Porque deixaram em mim , o vosso bem precioso, eu sustentava vosso coração, aquela pedra preciosa que tanto procurava, quando finalmente a encontrei. Mas no fim? No fim, nunca passei de um rascunho errado, pois eu também, lá no fundo, eu gostava mesmo de vocês.



   Veronýca S.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Fruto de Imaginação.

(...) e eu, nem aí (...) não passavam de ilusões, lendas ou até sonhos parcialmente tornados realidade. Eu tinha apenas 10 anos, quando caí na realidade, e porque não? Não deixam de ser seres, porque não? Isto é então, racismo.
Não aceitaremos o facto de serem "vampiros", mas quem sabe, um dia poderás vir a tornar-te num deles.
Quem sabe se isto não começou com uma simples conversa. Eu nasci assim, com os dentes bicudos, com uma aterrorizante mente, e sempre que me olhava ao espelho não via nada mais que um ser humano. Eu decidi então ir à floresta, arejar, ou encontrar o fruto da minha imaginação, mas era frustante ver os bichinhos a morrerem, era frustante ver um leão morder um veado, e porquê naquele sítio? porque é morte certa? porquê no pescoço? porque dói mais ? então, porquê? era frustante ver como não aceitam as coisas como elas são. Então eu revoltei-me. Com um punhal de pensamentos revoltossos na minha cabeça, excedi-me ao máximo, e voltei a ver o meu rosto relusente ao espelho, onde cada lágrima valia um sentimento. Abri a boca, apreciando os meus dentes bicudos e assustadores, por alguma razão era assim, eu tinha de dar inicio, ou quem sabe continuidade ao meu fruto de imaginação, eu tentei tornar-me um deles, porque aquela imagem frustante não me saia da cabeça. Eu tentei então tornar-me um deles, voltei ao meu ponto de partida , eu com uma forte tentação, caçei aquele bicho e mordi-lhe exactamente naquele sítio. Eu não estava em mim, eu não queria acreditar que tinha feito aquilo, mas alguma coisa me impedia de parar, eu estava possuída por um vulto imaginário que me prendia às tentações, e quando dei por mim, desatei a chorar , eu não queria aquilo, mas eu visto que me tornei um deles continuei. Eu estava sem rumo, só aquelas chamas na minha cabeça davam um sinal de vida. Eu estava a ser controlada, eu, não era "eu". Dei-me levar a acreditar que estava num poço infinito, que eu quis aquilo, eu criei um ser. Eu fiz um ponto no Universo. Eu vagueava por todas as zonas do mundo, descubrindo os meus dons, dado certa altura que era mais rápida, mais forte, que um ser humano. Eu lia os pensamentos das pessoas, sendo bons, e maus. Eu podia ajudar aqueles que mais precisavam, eu era fria, poderosa.
O tempo foi passando, quando já tinha eu 30 anos "humanos" pois eu era sempre aquela, eu era aquela menina pequenina com 10 anos. Eu era uma fera, resultante de uma frustante imaginação, eu acima dos sete mares. Mas eu, voltei a ver-me ao espelho, eu chorava sangue, pela qual nunca quis. Eu tinha os dentes fortes, ainda mais do que aquilo que de última vez que tinha visto. Eu era perigosa. Eu abri os olhos, eu não era aquela pessoas que começei, eu dei por mim e fazia parte daquilo que eu mais odeava , ver aqueles bichinhos a morrerem , sendo atacados direccionalmente no pescoço. Eu nunca quis aquilo, mas tinha de aceitar o facto de ter criado uma nova era.
Eu deitei-me na cadeira, olhei fixamente no espelho e pensei: "Será uma lenda, apenas fruto da minha imaginação, ou eu tornei-me mesmo isto, um monstro?".

(Leitores, os vampiros não são monstros, nós é que os vemos assim, eles têm um coração de amor, tanto como de pedra. Eles são como nós, simplesmente vêm as coisas de outra maneira, pois eles conseguem alcança-la.)

                                                                                   Veronýca S.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Águas Passadas.


« one way » yap, isso mesmo, só isso procure « uma forma » de resolver tudo.
Uma forma de fechar os problemas em quatro paredes.
Simplesmente quero acabar com estes problemas que temos todos, porque eu nado neles. Eu afoguei-me milhares de vezes neles, e ninguém me ajudou. Até que chegou aquela pessoa que me salvou. Mas não conseguiu arranjar uma forma de resolver isto. Uma forma de acabar com isto, que nos mata cada vez mais. Eu caminhava por este longo caminho que nunca acabava, por cada pedra que recolhia, um problema afugentava-se na minha mente. Eu pura e simplesmente colava os olhos ao chão, e nunca erguia a cabeça com medo que um dia um dia um raio me fita-se os olhos. Já com feridas nos pés, metade da roupa, rastejava sob este chão, arenoso, e húmido, sem qualquer modo de comunicação, era apenas eu naquele mundo. Presa por pessoas infiéis à vida, presa por mãos de todo o tipo frustrantes que me mandavam ao chão vezes sem conta, que falsas vezes me ajudavam, mas atiravam-me novamente. Mas eu acreditava sempre. Eu caia na conversa delas sempre. Porque eu era uma miúda indefesa, sem pensamentos, pois eles mergulhavam em água passadas. Eu tentava encontrar um pensamento que fosse compatível com esta aterrorizante história formada na minha cabeça. Tentava olhar para o redor de mim, mas era frustrante ver aquelas mãos que me seguravam, mas traiçoeiramente me enganavam, outra vez, outra vez, outra vez e outra vez.
Eu indefesamente tentava evitar, mas algo me puxava para lá. Todos os anos repetia a mesma rotina, sempre a mesma coisa. E por mais vezes que tenha passado por aquele filme de terror, eu cometia o mesmo erro vezes sem conta, eu atirava-me aos pesadelos, e desmanchava os sonhos. Um dia perdi a conta. Um dia quis erguer a cabeça, mas essas mãos atiravam-na para o chão. Tinha já os olhos a arder, gostas de sangue a escorrer pelo rosto, mas nem um ser me ajudou. Eu resisti sozinha. Eu voltei a mergulhar naqueles pensamentos. Eu tentei lembrar-me de tudo o que já tinha passado. Eu vivi cinco mil milhões de anos, a mesma coisa. Já tinha passado por aquela estrada cinco mil milhões de vezes, aquelas mãos já me tinham “ajudado” e traído cinco mil milhões de vezes, e eu nunca me lembrava disso, porque santinha deixava passar tudo, como se eu fosse um túmulo de forças, como se superasse tudo e todos. Eu tentei mudar, porque todos os dias a mesma rotina, todos os dias a mesma faceta, todos os dias a sofrer mais um segundo, todos os dias a viver aquele momento sem me aperceber das vezes sem conta que já o tinha passado (…) todos os dias as mesmas palavras, um dia esgotamo-nos, um dia fartamo-nos de ser sempre igual, se não mudamos, acabamos por saber uma vida de cor. Pintava todos os dias essa mágoa vivida, essa tristeza, esse rancor guardado em partes de mim, que nunca se desfaziam, apenas se dimensionavam. Aumentavam, aumentavam e aumentavam cada vez mais.
Um dia (…) uma mão saltou primeiro que as outras, eu tentei resistir, mas peguei-a mais uma vez. Ela levantou-me, ergueu a minha cabeça, um raio passou a um centímetro de mim, mas não me atingiu, eu acreditei que aquilo era um milagre. Essa mão fez de mim a pessoa mais feliz do mundo. Aquela mão era única, aquela sim eu acreditava com todas as forças do mundo. Ela limpou as minhas lágrimas, ela ajudou-me a levantar em todos os momentos. Ela sim era verdadeira. Eu tinha medo, mas tinha de ser forte, tinha de enfrentar esse medo, temia de voltar a aquele mundo que me prendia a razões de vida desesperantes. Mas eu tinha de fazer aquilo, eu fiz força, eu mergulhei naqueles pensamentos, eu ia afogando-me mais uma vez, mas a mão estava lá, aliás, está e estará sempre lá (…) ela disse-me: “meu amor, isto passa. Isto não passa de umas meras e alucinantes águas passadas”.



   Veronýca S.
(este texto é dedicado à minha segunda melhor amiga, inês labroinha :x)

sábado, 6 de novembro de 2010

Um, dois e tê rês.

Eu estava a dar voltas, voltas, e voltas, vivia cada segundo colada à minha mãe.
Presa num circulo apenas com uma ponta. Será possível? Talvez naquele mundo sim. Comia o que ela comia, bebia o que ela bebia, “fazia” o que ela fazia. Enfim, eu estava dentro dela, quando o 5º dia mais feliz da minha mãe chegou, 24/01/1998, um ser chamado “homem” com uma máscara e um fato agarrou-me por um pé, e começou a dar-me palmadas no rabo, eu perguntei-me se isto era possível, pelos vistos, sim, era.
Passei os anos mais felizes da minha vida, naquele sítio onde nasci, com a minha família toda.
Foi só contar: um, dói e tê rês. Parei por completo, o mundo parou, viemos para Portugal, onde mudou tudo, tudo, tudo mesmo. Uma volta de cento e oitenta graus.
Tenha quatro aninhos, só sabia contar até dez.
Eu não queria saber de nada, se ia fazer amigos novos, se ia aprender bem, muito ou mais.
Se me ia conseguir habituar aos hábitos de cá, apenas queria viver aquele momento, não sendo o melhor. Estava com a minha bola, quando chutei com muita força, foi parar ao pés de uma menina. Limitei-me a dizer: Olá. Ela chamava-se Daniela. Eu ia ouvindo (fingindo perceber), ia para aonde ela ia, eu não falava, apenas fazia. As coisas na minha casa continuavam como habitualmente, e na manhã seguinte encontrei-me outra vez com ela, mas vinha com a irmã, devia ter uns dois ou três anos. Chamava-se Joana. Eu habituei-me a elas, como ninguém. A minha irmã, a Andrea, ela é pessoa de se fechar no quarto, deitar-se na cama, e transformar o quarto num oceano. Eu nunca mais estive com a Daniela e com a Joana. Passei os dias em casa, sozinha, com a minha irmã.
Os anos passavam, passavam, e a minha irmã foi para a escola. Já eu me tinha habituado a estar sozinha em casa, e cheguei ao ponto de falar sozinha.
Quando estava eu, com totós, um vestido que tinha menos de uns 20 centímetros, de colans, sapatinhos de vela, com uma boneca na mão, a minha “patusca” , e oiço a porta bater, era a minha irmã, de 6 anos, cabelo preto, e mochila às costas, com uma amiga, loira, de olhos azuis esverdeados , mochila às contas também, eu sem qualquer sentido, e razão corro para ela e abraço-lhe. Naquele momento, o mundo tinha parado, eu tinha o mundo nas mãos. Não sei, a sério, hoje tenho eu 12 anos, e pergunto-me porque fiz aquilo, mas foi uma coisa inexplicável, eu senti que iria haver ligação ali, senti que ela não ia passar de uma amiga na nossa família, eu queria acreditar que ia ser para sempre (:c), pelo menos, mais que estes oito anos que passamos juntas. Sim, é muito pouco, eu queria mais, aprendi contigo mais de metade das coisas que os meus pais me deviam ter ensinado, criei um nó nos nossos corações de tal maneira que ainda hoje não o consigo desfazer, foi perfeito para mim ter-te conhecido Juliana, abriste os nossos corações nesta família, sabes que os meus pais amam-te como uma filha, a génesis gosta de ti, imenso mesmo, que tu nem imaginas, eu posso até admitir que a minha irmã gosta mais de ti do que eu, e já não vive sem ti, ela nem que lhe dessem um milhão de euros conseguiria admitir isso, mas ela própria gastou o seu tempo, a sua a caneta, e uma folha para escrever que eras uma irmã para ela, que já não vivia sem ti.
Partis-te assim, mas não estamos bem assim, queremos-te aqui, já e agora, Precisamos de ti.
Precisamos de ti juliana, não sabes o quanto. Eu ás vezes tenho medo que arranjes outra família melhor que a nossa, tenho medo que um dia venhas a dizer: “ah essas?  Tchi, já me tinha esquecido delas” isso é um dos meus maiores medos. Eu não quero desfazer este nó, que com os anos foi-se apertando, apertando e apertando, derrubando obstáculos, que jamais 1/3 do mundo conseguia derrubar. Nem uma amizade tão forte como a nossa conseguia. Preciso de ti juliana, não me deixes, não me deixes. Aquela inédita imagem da primeira vez que te vi, não me sai da cabeça, pois foi tão especial para mim, que eu conto até três para voltar a vê-la. Jogava eu à macaca, mandava a pedra, e a imagem aparecia, dava um salto e desaparecia, chegava ao 3 e voltava ela a aparecer. Não são apenas coincidências, são linhas do caminho que nos destinam a esta parada que hoje temos. Eu nunca quis que tivéssemos seguido caminhos diferentes, pois eu só te digo : “Não me deixes ir” , preciso de ti, preciso da tua mão mais uma vez juliana. É que aquelas vezes que eu caí, estava a tua mão estendida, é que eu acordava e a primeira coisa que via era a tua cara, é que eu cozinhava panquecas pura e simplesmente para ti. É que são momentos que por mais que queramos NUNCA os vamos conseguir apagar. Pode parecer estúpido, mas jurei morrer contigo, ao pé de ti, pelo menos conseguir dizer-te um «amo-te» cara a cara, pela qual que ainda não consegui dizer. Tu não me limpas as lágrimas, tu simplesmente nem as deixas cair. Tu ofendeste-me milhares, milhares e milhares de vezes com as verdades, mas nunca me alegras-te com as mentiras, sei que confiar é contigo. Eu chamo-te irmã porque é o que és e sempre serás. É um sentimento inexplicável juliana, tu completas-te os rancores da alma da minha irmã, mudas-te aquela miúda completamente, tu colas-te a parte dos risos e sorrisos eu faltavam na cara dos meus pais, tu tapas-te os buraquinhos que me faltavam no coração. Eu não quero acabar dizendo amo-te, porque os sentimentos não se dizem, nem se escrevem, os sentimentos, SENTEM-SE. Juliana, eu amo-te, e amar-te-ei para o resto da minha vida, porque tu simplesmente encadeaste a escuridão do meu caminho, sacrificaste-te às minhas sabedorias, lutas-te contra a minha obscuração. Eu preciso de ti, eu quero-te, por favor, não me deixes ir :’c
Uma coisa garanto-te sê feliz porque eu só sou feliz com a tua felicidade, nunca vais ficar sozinha, cada vez que me quizer lembrar de ti, é por a tocar «Sandy & Junior» (aposto que neste momentos estás a rir e a lembrar-te dos bons momentos que passamos juntas), gigui gigui jay gi jay já boy eu amo vocêeeeeeeee.
Eu quando me voltar a lembrar de ti, já não vais conseguir as lágrimas não caírem, muito menos limpá-las :c estás muito longe, esta separação foi uma súbita indignação nas nossas vidas (:’c) eu simplesmente queria passar o tempo para trás, porque eu, vou dizer: um, dois e tê rês, e lá estou eu com os tótós no cabelo, com o vestidinho e com apenas 4 anos (…) vai ser sempre assim, Juliana Martins Gondim “Vieira Serrano” eu amo-te mesmo, e esta distância já aperta, o rancor que guardo é que o nó está cada vez mais largo :c tenho medo que ela se desfaça, pois já vivemos muito, já choramos muito, já passamos por muito irmã, por isso tenho mesmo muito medo, mas se algum dia, isso acontecer, eu apenas tenho de dizer: um, dois e tê rês. 
                                                                                                                 Veronýca S.
  

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu não tenho medo!



É simplesmente isso, não tenhas medo. Segue em frente, nas tuas mãos tudo é possível, viver, morrer, nascer, não nascer. Ser o que és, ou o que não fostes, ou o que virás a ser. Eu não tenho medo, tomo as melhores medidas, olho em volta, para o mundo que casa dia matamos mais, mais, e casa vez mais, porque não matar-me a mim também? :o
Quero deixar tudo, quero por à parte os sentimentos, as preocupações, os problemas e atirar-me de um prédio de 57 andares. Voar, voar, voar, de modo a que ninguém saiba que sou, de modo a que me arranquem tudo o que tenho dentro de mim, e ser um simples e oco pau que qualquer um atira…
Darem-me 3 mil tiros, mas nem 3 sentir, seria entrar na água e queimar-me com o fogo que está apagado. É ilusões que vemos todos os dias, é as lendas que nos contam, são essas as ****** que nos contam todos os dias, e nos a deixar-nos levar sem qualquer sentido. É isso que vivemos todos os dias. Eu não tenho medo, simplesmente vivo uma morte. Sim, não? Eu vou continuar a viver esta semana, que na outra já estou morta. Vou limpar a minha decisão, e ler a minha história em todas as vidas que já estive. Não me ponham coisas na cabeça que eu sou aquilo que nunca fui, e vou ser aquilo que não fui. Conter a minha cabeça, não mais que cada palhaçada que saem todos os dias nos jornais, e na televisão. Eu até me pergunto a mim, só fiz sofrer a minha mãe, para quê lhe fiz sofrer, e ainda por cima, vai voltar a sofrer. Para quê nasci se sou apenas mais uma no mundo? Tanto sofrimento, tantas vivências, tantas mágoas, tantas mortes, o quê? Para quê? Foi mais um dos erros de deus? Não acredito. Estamos a passar por isso tudo para no final estaremos fechados entre quatro paredes de madeira, sem qualquer modo de respiração, sem qualquer personalidade, sem qualquer pessoa ao pé de mim.
Esperem lá, agora, agora é que penso, serei a única pessoa no mundo e estarei a sonhar que isto que vivemos todos os dias é verdade?! Não sei, não sei não! Belisca-me então, que eu quero acordar deste pesadelo que todos os humanos vivem em cada centímetro de o mundo chegar a morrer também. Estamos presos na vida, pois sofremos tanto, lutamos tanto, choramos tanto, para depois morreremos (...) Eu nem sei bem o nome deste planeta, mas sei que não podemos fazer tudo o que queremos,  tanta vigança, tanto trabalho se depois a vida vai acabar? Não, eu não tenho medo! Mas (…) Para que levaremos a vida tão a sério, se a vida é uma simples alucinante aventura no qual nunca sairemos vivos? Eu cá vou aproveitar a vida, que não sei bem o significado dessa palavra, mas vou aproveitar, pois se já fiz pessoas sofrerem, também posso torna-las felizes. Agora que nasci, vou acabar o que comecei, não digo que fui um erro no mundo, mas também não digo que isto tenha sido a melhor coisa que já fizeram.
E aqui caí, quando cheguei ao 1º andar. Mais uma vez, voltei a subir, mas passei do 57º andar, subi mais acima, lá no “além” da vida. Eu caí, pois não tenho medo !
                                                                                                                            Veronýca S.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Puro e inacabado sentimento...

  
Tudo começou num puro e inacabado sentimento...
   Quando pensei que tudo ia ser perfeito, ou talvez, mais que perfeito (...)
   Quando pensei que as palavras não iam magoar, ou um simples olhar ia atrair aquilo que sentia por ti.
   Foi um profundo sentimento, foi como se tivesse nascido naquele instante, não sabia de nada, único e simplesmente sabia que eu te amava com todas as forças que havia no mundo.
   Mas será verdade, para ser tão bom? Eu nem queria olhar para esse lado do caminho, prq ia achar que ia estragar tudo. Achar, pensar, estranhar, imaginar? Não, não vale mesmo a pena. Queria ser forte, e seguir em frente com aquela sorte que a vida me tinha dado. Mas só uma pessoa forte conseguia arrancar essa sorte, essa oportunidade, tal como eu não consegui, porque não olhei em mim, olhava para trás, e para a frente. Será? não, Foi? não, e porquê não é? Custava-me assim tanto viver o presente, o "é" da vida? Mas não, o vento puxava a vontade de olhar para o presente, e desprendia a delicadeza que tinha de olhar para trás e para adiante, para o "foi" e para o "será". Não, não quero o futuro, não quero o passado, apenas viver aquilo que estamos "supostamente" a viver. Para mim, estava morta. Nada valia mais que aquele ser "pequeno", aquele sorriso branquinho, aquele olhar que bloqueava meus olhos, aquela  vozinha suave e delicada. Sim, essa pessoa era pequena, muito pequena, mas pelo que conseguiu mostrar-me, pode chegar ao ponto mais alto do mundo. Aquela pessoa que conquistou meu amor, roubou minha alma, simplesmente, resgatou meu coração. Passava tudo, passava o tempo todo a trás, para poder viver aquele momento mais um vez, porque deixei as coisas irem em vão. Num abrir e fechar de olhos , tudo esvoaçou, tudo desapareceu, e eu fiquei isolada naquele mundo dramático, sem amor, sem possibilidades de vir a amar. Sentia-me presa pelas águas do mar, mas sentia que não era nada nem ninguém. Sentia que a água entrou em mim, ou melhor dizendo: "Entrei em pura água”. Naquele momento eu era a água, derrotando a areia da água, afogando-a por minhas mágoas, matando os seres do mar, com as estranguladas ondas que vinham do Equador (...) Eu naquele momento, simplesmente não quis acreditar que era aquela pessoa que dês fez o único e precioso ser , tinha tudo nas minhas mãos, e num simples tropeçar, derrubo tudo das minhas mãos. Eu quero, simplesmente, nesta pequena expressão sentimental, dizer a todos os leitores para não deixarem aquilo que mais amam, porque quando olharem para ela, já está para mais do além, já não vão ter nada nem ninguém. Avancem enquanto é tempo, que tudo é escasso, quando gostamos mesmo de uma coisa, devemos quere-la e agarra-la com força, para não a deixarem cair como eu fui, neste momento, porque nunca vão querer passar por aquilo que passei. Peço-vos que agarrem aquilo que têm e que amam, que quando vocês menos esperarem, vai-se embora sem deixar um único rasto (...).
   Vivam o presente, e esqueçam os erros que cometeram no passado, nem como será o futuro, porque o presente, vai completando aos poucos o futuro, quando deres por ti, já viveste esse momento da tua vida, e aí vais sentir-te a melhor pessoa do mundo. Querem mesmo aquela pessoa? Agarrem-na, dêem-lhe aquilo que têm para dar, porque ela não espera. O vento roubate-a . Só quero avisar a este leitores, que cometi o maior erro da minha vida, mas que não posso viver com ele para sempre, para não voltar a cometer este .
   Aquilo que eu amava com todas as forças, foi-se embora, e nunca mais voltou. Nunca mais a vou poder ter ao pé de mim, nunca vou poder sentir os seus lábios, nem poder tocar-lhe, nunca mais vou poder sentir seu cheiro, mas essa imagem vai viver presente sempre em mim, até morrer. Porque este puro e inacabado sentimento, nunca vai acabar!

                                                                                     Veronýca S.