quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Águas Passadas.


« one way » yap, isso mesmo, só isso procure « uma forma » de resolver tudo.
Uma forma de fechar os problemas em quatro paredes.
Simplesmente quero acabar com estes problemas que temos todos, porque eu nado neles. Eu afoguei-me milhares de vezes neles, e ninguém me ajudou. Até que chegou aquela pessoa que me salvou. Mas não conseguiu arranjar uma forma de resolver isto. Uma forma de acabar com isto, que nos mata cada vez mais. Eu caminhava por este longo caminho que nunca acabava, por cada pedra que recolhia, um problema afugentava-se na minha mente. Eu pura e simplesmente colava os olhos ao chão, e nunca erguia a cabeça com medo que um dia um dia um raio me fita-se os olhos. Já com feridas nos pés, metade da roupa, rastejava sob este chão, arenoso, e húmido, sem qualquer modo de comunicação, era apenas eu naquele mundo. Presa por pessoas infiéis à vida, presa por mãos de todo o tipo frustrantes que me mandavam ao chão vezes sem conta, que falsas vezes me ajudavam, mas atiravam-me novamente. Mas eu acreditava sempre. Eu caia na conversa delas sempre. Porque eu era uma miúda indefesa, sem pensamentos, pois eles mergulhavam em água passadas. Eu tentava encontrar um pensamento que fosse compatível com esta aterrorizante história formada na minha cabeça. Tentava olhar para o redor de mim, mas era frustrante ver aquelas mãos que me seguravam, mas traiçoeiramente me enganavam, outra vez, outra vez, outra vez e outra vez.
Eu indefesamente tentava evitar, mas algo me puxava para lá. Todos os anos repetia a mesma rotina, sempre a mesma coisa. E por mais vezes que tenha passado por aquele filme de terror, eu cometia o mesmo erro vezes sem conta, eu atirava-me aos pesadelos, e desmanchava os sonhos. Um dia perdi a conta. Um dia quis erguer a cabeça, mas essas mãos atiravam-na para o chão. Tinha já os olhos a arder, gostas de sangue a escorrer pelo rosto, mas nem um ser me ajudou. Eu resisti sozinha. Eu voltei a mergulhar naqueles pensamentos. Eu tentei lembrar-me de tudo o que já tinha passado. Eu vivi cinco mil milhões de anos, a mesma coisa. Já tinha passado por aquela estrada cinco mil milhões de vezes, aquelas mãos já me tinham “ajudado” e traído cinco mil milhões de vezes, e eu nunca me lembrava disso, porque santinha deixava passar tudo, como se eu fosse um túmulo de forças, como se superasse tudo e todos. Eu tentei mudar, porque todos os dias a mesma rotina, todos os dias a mesma faceta, todos os dias a sofrer mais um segundo, todos os dias a viver aquele momento sem me aperceber das vezes sem conta que já o tinha passado (…) todos os dias as mesmas palavras, um dia esgotamo-nos, um dia fartamo-nos de ser sempre igual, se não mudamos, acabamos por saber uma vida de cor. Pintava todos os dias essa mágoa vivida, essa tristeza, esse rancor guardado em partes de mim, que nunca se desfaziam, apenas se dimensionavam. Aumentavam, aumentavam e aumentavam cada vez mais.
Um dia (…) uma mão saltou primeiro que as outras, eu tentei resistir, mas peguei-a mais uma vez. Ela levantou-me, ergueu a minha cabeça, um raio passou a um centímetro de mim, mas não me atingiu, eu acreditei que aquilo era um milagre. Essa mão fez de mim a pessoa mais feliz do mundo. Aquela mão era única, aquela sim eu acreditava com todas as forças do mundo. Ela limpou as minhas lágrimas, ela ajudou-me a levantar em todos os momentos. Ela sim era verdadeira. Eu tinha medo, mas tinha de ser forte, tinha de enfrentar esse medo, temia de voltar a aquele mundo que me prendia a razões de vida desesperantes. Mas eu tinha de fazer aquilo, eu fiz força, eu mergulhei naqueles pensamentos, eu ia afogando-me mais uma vez, mas a mão estava lá, aliás, está e estará sempre lá (…) ela disse-me: “meu amor, isto passa. Isto não passa de umas meras e alucinantes águas passadas”.



   Veronýca S.
(este texto é dedicado à minha segunda melhor amiga, inês labroinha :x)

sábado, 6 de novembro de 2010

Um, dois e tê rês.

Eu estava a dar voltas, voltas, e voltas, vivia cada segundo colada à minha mãe.
Presa num circulo apenas com uma ponta. Será possível? Talvez naquele mundo sim. Comia o que ela comia, bebia o que ela bebia, “fazia” o que ela fazia. Enfim, eu estava dentro dela, quando o 5º dia mais feliz da minha mãe chegou, 24/01/1998, um ser chamado “homem” com uma máscara e um fato agarrou-me por um pé, e começou a dar-me palmadas no rabo, eu perguntei-me se isto era possível, pelos vistos, sim, era.
Passei os anos mais felizes da minha vida, naquele sítio onde nasci, com a minha família toda.
Foi só contar: um, dói e tê rês. Parei por completo, o mundo parou, viemos para Portugal, onde mudou tudo, tudo, tudo mesmo. Uma volta de cento e oitenta graus.
Tenha quatro aninhos, só sabia contar até dez.
Eu não queria saber de nada, se ia fazer amigos novos, se ia aprender bem, muito ou mais.
Se me ia conseguir habituar aos hábitos de cá, apenas queria viver aquele momento, não sendo o melhor. Estava com a minha bola, quando chutei com muita força, foi parar ao pés de uma menina. Limitei-me a dizer: Olá. Ela chamava-se Daniela. Eu ia ouvindo (fingindo perceber), ia para aonde ela ia, eu não falava, apenas fazia. As coisas na minha casa continuavam como habitualmente, e na manhã seguinte encontrei-me outra vez com ela, mas vinha com a irmã, devia ter uns dois ou três anos. Chamava-se Joana. Eu habituei-me a elas, como ninguém. A minha irmã, a Andrea, ela é pessoa de se fechar no quarto, deitar-se na cama, e transformar o quarto num oceano. Eu nunca mais estive com a Daniela e com a Joana. Passei os dias em casa, sozinha, com a minha irmã.
Os anos passavam, passavam, e a minha irmã foi para a escola. Já eu me tinha habituado a estar sozinha em casa, e cheguei ao ponto de falar sozinha.
Quando estava eu, com totós, um vestido que tinha menos de uns 20 centímetros, de colans, sapatinhos de vela, com uma boneca na mão, a minha “patusca” , e oiço a porta bater, era a minha irmã, de 6 anos, cabelo preto, e mochila às costas, com uma amiga, loira, de olhos azuis esverdeados , mochila às contas também, eu sem qualquer sentido, e razão corro para ela e abraço-lhe. Naquele momento, o mundo tinha parado, eu tinha o mundo nas mãos. Não sei, a sério, hoje tenho eu 12 anos, e pergunto-me porque fiz aquilo, mas foi uma coisa inexplicável, eu senti que iria haver ligação ali, senti que ela não ia passar de uma amiga na nossa família, eu queria acreditar que ia ser para sempre (:c), pelo menos, mais que estes oito anos que passamos juntas. Sim, é muito pouco, eu queria mais, aprendi contigo mais de metade das coisas que os meus pais me deviam ter ensinado, criei um nó nos nossos corações de tal maneira que ainda hoje não o consigo desfazer, foi perfeito para mim ter-te conhecido Juliana, abriste os nossos corações nesta família, sabes que os meus pais amam-te como uma filha, a génesis gosta de ti, imenso mesmo, que tu nem imaginas, eu posso até admitir que a minha irmã gosta mais de ti do que eu, e já não vive sem ti, ela nem que lhe dessem um milhão de euros conseguiria admitir isso, mas ela própria gastou o seu tempo, a sua a caneta, e uma folha para escrever que eras uma irmã para ela, que já não vivia sem ti.
Partis-te assim, mas não estamos bem assim, queremos-te aqui, já e agora, Precisamos de ti.
Precisamos de ti juliana, não sabes o quanto. Eu ás vezes tenho medo que arranjes outra família melhor que a nossa, tenho medo que um dia venhas a dizer: “ah essas?  Tchi, já me tinha esquecido delas” isso é um dos meus maiores medos. Eu não quero desfazer este nó, que com os anos foi-se apertando, apertando e apertando, derrubando obstáculos, que jamais 1/3 do mundo conseguia derrubar. Nem uma amizade tão forte como a nossa conseguia. Preciso de ti juliana, não me deixes, não me deixes. Aquela inédita imagem da primeira vez que te vi, não me sai da cabeça, pois foi tão especial para mim, que eu conto até três para voltar a vê-la. Jogava eu à macaca, mandava a pedra, e a imagem aparecia, dava um salto e desaparecia, chegava ao 3 e voltava ela a aparecer. Não são apenas coincidências, são linhas do caminho que nos destinam a esta parada que hoje temos. Eu nunca quis que tivéssemos seguido caminhos diferentes, pois eu só te digo : “Não me deixes ir” , preciso de ti, preciso da tua mão mais uma vez juliana. É que aquelas vezes que eu caí, estava a tua mão estendida, é que eu acordava e a primeira coisa que via era a tua cara, é que eu cozinhava panquecas pura e simplesmente para ti. É que são momentos que por mais que queramos NUNCA os vamos conseguir apagar. Pode parecer estúpido, mas jurei morrer contigo, ao pé de ti, pelo menos conseguir dizer-te um «amo-te» cara a cara, pela qual que ainda não consegui dizer. Tu não me limpas as lágrimas, tu simplesmente nem as deixas cair. Tu ofendeste-me milhares, milhares e milhares de vezes com as verdades, mas nunca me alegras-te com as mentiras, sei que confiar é contigo. Eu chamo-te irmã porque é o que és e sempre serás. É um sentimento inexplicável juliana, tu completas-te os rancores da alma da minha irmã, mudas-te aquela miúda completamente, tu colas-te a parte dos risos e sorrisos eu faltavam na cara dos meus pais, tu tapas-te os buraquinhos que me faltavam no coração. Eu não quero acabar dizendo amo-te, porque os sentimentos não se dizem, nem se escrevem, os sentimentos, SENTEM-SE. Juliana, eu amo-te, e amar-te-ei para o resto da minha vida, porque tu simplesmente encadeaste a escuridão do meu caminho, sacrificaste-te às minhas sabedorias, lutas-te contra a minha obscuração. Eu preciso de ti, eu quero-te, por favor, não me deixes ir :’c
Uma coisa garanto-te sê feliz porque eu só sou feliz com a tua felicidade, nunca vais ficar sozinha, cada vez que me quizer lembrar de ti, é por a tocar «Sandy & Junior» (aposto que neste momentos estás a rir e a lembrar-te dos bons momentos que passamos juntas), gigui gigui jay gi jay já boy eu amo vocêeeeeeeee.
Eu quando me voltar a lembrar de ti, já não vais conseguir as lágrimas não caírem, muito menos limpá-las :c estás muito longe, esta separação foi uma súbita indignação nas nossas vidas (:’c) eu simplesmente queria passar o tempo para trás, porque eu, vou dizer: um, dois e tê rês, e lá estou eu com os tótós no cabelo, com o vestidinho e com apenas 4 anos (…) vai ser sempre assim, Juliana Martins Gondim “Vieira Serrano” eu amo-te mesmo, e esta distância já aperta, o rancor que guardo é que o nó está cada vez mais largo :c tenho medo que ela se desfaça, pois já vivemos muito, já choramos muito, já passamos por muito irmã, por isso tenho mesmo muito medo, mas se algum dia, isso acontecer, eu apenas tenho de dizer: um, dois e tê rês. 
                                                                                                                 Veronýca S.