domingo, 26 de setembro de 2010

Conto: "Como se formou a Lua."

Há muito, muito tempo, no mundo, havia uma diferença, a Lua.
A lua era sempre redonda. Ninguém sabia porquê.
Todos passavam os dias, a pensar, a razão pela qual a lua era sempre igual, se as crianças aprendiam nas escolas as quatro fases da lua, e eram diferentes, porque aqui no mundo, seria sempre igual?
Até passavam as noites a olhar o alto céu, a lua.
Nem mesmo os cientstas o conseguiam descubrir.
Mas... Certo dia, ao pôr-do-sol, um pequeno rato, chamado João, pensou, decidiu e disse:
- Já chega!  Isto não pode continuar. Estou farto de ver a lua redonda. Se não conseguem os cientistas, consigo! Vou provar que a lua pode variar, pode ser de outra maneira, tal como as crianças aprendem na escola. VOU À LUA !
Então o rato João foi à casa do seu amigo, outro rato, eram amigos de infância.
O seu amigo chamavas-se Bigodes, tinha um problema menta, tudo o que era parecido com o queijo, ele trincava, mas ele era sempre boa companhia.
O amigo aceitou, e foram os dois à casa do João para se prepararem, quando Bigodes diz:
- Óh João, tens mesmo a certeza que queres fazer esta viagem? - relembrou Bigodes.
- Eu vou! E tenho a certeza que vou conseguir. Estou mais que decidido, e não se fala mais nisso . - afirmou João.
-Bem, não queria ofender-te, tu é que sabes.
João e Bigodes, pegam nas folhas, nas canetas, vestem os fatos, entram no foguetão e vão a caminho da Lua.
O povo apoiava, e diziam que conseguissem .
Passavam-se segundos, minutos, horas, manhãs, tardes, noites, dias, semanas, meses e até mesmo anos. Mas a lua continuava sempre da mesma maneira - redonda -. E o povo começou a achar estranho.
Mas certa noite, uma criança que não dormia, nem um piscar de olhos fazia, viu nesse mesmo momento a lua, aos pocos ia-se formando no Quarto Minguante, e começou a chamar o povo.
Mas vinha uma gaivota em direcção ao menino com um papel no bico, pois pareçia ser para o povo. Abriu e leu:

Povo,

Desculpem. Não sabemos se conseguimos ou não, pois isso verão voçês. Se mudou, melhor, se não mudou, lamentamos imenso, fizémos o que estava ao  nosso alcançe. Temos de anunciar que estamos muito velhos, o que não nos permitirá de voltar, pois ficaremos aqui, porque uma viagem desta, demora anos, e quando chegassemos lá, já estariamos mortos.
Mas esperamos que tenhamos conseguido. Com esperanças de:                                                                                           JOÃO E BIGODES.
E assim foi, o povo ficou contente por terem conseguido.
E aí, em diante, conta-se a lenda que: enquanto que o rato João descubria o que fazer, o rato Bigodes poderia estar com fome, e como tinha o tal problema mental, pensou que a lua era quijo e começou a trincá-la aos poucos, até se tornar, o Quarto Minguante.

                                                                                                                                                                                          Veronýca S.

sábado, 25 de setembro de 2010

Um olhar raio-x .

Passea-va num sereno e calmo campo, quando cruzo com um cavaleiro encantado, o vento resgatava meu olhar, e esvoaça pelo meu rosto. Quando dou um pulo, tudo para. Ele olhava para mim num profundo pensamento. Era como se infiltrasse seus olhos nos meus, era como se o mundo parasse para suas lágrimas se contentarem com a mágoa de estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe de mim. Eu acreditava, naquele momento que tudo era possivel, tudo era extremamente precioso, mas que era de bom de mais para ser verdade. Quando vou para dar um passo, ele espeta-me uma faca pelas costas, e tudo parou, mais uma vez senti a sensação de que tudo parou à minha volta. Eu acabo por cair sob aquele sereno e calmo campo, junto de uma árvore grande e revestida de folhas amarelas e vermelhas. Dou por mim, e estou num síto em que não há por quem ir, não há por quem chamar, não há por quem gostar. Simplesmente, estava isolada naquela nuvem branca, eu estava morta. Morri por bons, morri por maus, mas sei que também morri por alguns, alguns esses que me odiavam, alguns que me amavam. Tentava sair daquele beco , mas tudo e nada me impedia de sair de ali. Estava trancada num cubo , onde tudo era branco, onde havia tudo e nada existia (...) , rendi-me, e mais uma vez , caí sob aquele intenso branco, que nem sabia, se era parede, tecto ou até mesmo o chão. Senti os intestinos virem-me à boca, como uma caldeirada de bruxa. E quando dou por mim, estou debaixo daquela árvore grande, de folhas amarelas e vermelhas, naquele campo sereno e calmo. Num brusco olhar, olho para trás, e os olhos daquele cavaleiro entraram por mim, veio-me dos pés à cabeça, eu pensei - ele entrou em mim - , era a sensação de um espíro a passar por mim. Um simples olhar dele, matava qualquer um, ultrapassava-me os olhos, passava dos olhos para a nuca, nunca tinha sentido nada assim. Mas eu, aterrorizadamente, sem saber o que fazer, tive a sensação, de que me veio-me um dejavú , sabia que se não fizesse nada, sentiria mais uma vez uma faca espetar-me nas costa. Reagi, virei-me e corri para mais longe, que pude. Só quis deitar-me, olhar para o céu, adormeçer, e nunca mais acordar . Aí, penseí, e vi que a vida me tinha dado mais uma oportunidade de viver aqui em baixo, no mundo, onde tudo existe, onde as pessoas sofrem, ondem as mágoas escorrem, ondem as pessoas vivem e morrem. Mas eu preferia, estar naquele cubo branco, onde não sofro, onde não sinto dor, onde não sei quem sou, onde tudo era diferente, ou não . Sei que estava a errar, no facto de querer morrer, pois milhares de pessoas gostariam de ter a oportunidade que eu tive, mas sendo assim, dava-a a todos, porque eu queria mesmo morrer. Estar lá, naquele sítio onde as pessoas não vivem, as pessoas sentem-se a viver, mas não existe nada, apenas amor. Que quando olho para baixo, vejo acidentes, mortes, partos, crianças, separações, discuções entre famílias, agressões, vivências, mas eu, sempre preferia estar aqui, onde percebí que era o céu, ao lado daqueles que nem me amam nem me odeiam, aqui onde a perfeição não existe. Eu agradeçi ao mundo, por me ter dado esta oportunidade de viver mais uma vez a vida. Segui o meu caminho mais cem mil anos, quando num abrir e fechar de olhos, um olhar infiltra-me, novamente, o corpo e quebra meu coração. Tinha chegado, finalmente a hora, a hora de morrer. Aprendi que sou a felicidade de uns e a tristeza de outros. Aprendi que viver vale sempre mais que morrer. Um ser umano pode sempre herrar.
   
                                                                                       Veronýca S.